LuzeAZEVEDO
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donaMãe, também conhecida como Zina.

a casa onde o mundo cabe

tentando fazer da própria casa um  pequeno pedaço do mundo

donaMãe, também conhecida como Zina

o melhor lugar do mundo é a nossa casa

tentando fazer da própria casa um 
pequeno pedaço do mundo

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não sei quem inventou essa estória de que felicidade mora longe, em alguma cidade bonita, numa praia de água azul ou num país onde ninguém conhece nosso nome e, portanto, ninguém pode nos cobrar nada. deve ter sido alguém que nunca precisou procurar o óculos pela casa inteira enquanto ele estava na própria cabeça.

o melhor lugar do mundo é a nossa casa.

não porque lá o mundo seja melhor. mas porque, por algumas horas, podemos esquecer que ele não é. a gente deita. fecha os olhos. e sonha.

no sonho, tudo cabe ~ o amor que não deu certo, o dinheiro que faltou, o amigo que foi embora, a palavra que não dissemos.

até o mundo parece ter conserto.

então amanhece.

o café, o jornal, a conta, o trânsito, as notícias.

a realidade bate à porta.

e a gente abre.

talvez seja isso que uma casa faça por nós: não nos livra do mundo. apenas nos oferece um lugar onde podemos sonhar com outro. depois saímos. levamos o sonho no bolso. e deixamos a realidade esperando na calçada. por algumas horas. até a noite chegar. e a casa, generosa, nos devolver novamente o direito de sonhar.

é pouco.

mas, para quem conhece o mundo, já é quase tudo.

o melhor lugar do mundo é a nossa casa.

é lá que a gente deita, fecha os olhos e sonha com um mundo melhor.
e é lá também que, pela manhã, abre os olhos e encontra a realidade.

talvez seja por isso que casa seja tão importante ~ não porque nos
proteja do mundo, mas porque nos dá um lugar para sonhar com outro.

a gente sai pela porta levando um pouco do sonho.
e volta trazendo um pouco da realidade.

e, entre uma coisa e outra, vai tentando fazer da própria casa um
pequeno pedaço do mundo que gostaria de encontrar lá fora.

Papo Reto: 11 95001-5060

Studio: 02861-060 | rua Ouvídio José Antônio Santana, Vila Rica, São Paulo-SP.

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Luze Azevedo

Luze Azevedo é contador de estórias, cronista e criador de projetos culturais. Transita entre a literatura, o jornalismo cultural e a educação emocional, sempre com o ouvido colado no cotidiano e o olhar atento às pequenas cenas que dizem muito.

É autor de Endora, Novas Memórias, obra revisitada trinta anos depois do primeiro lançamento, e criador de narrativas como Crônicas que GPS não registra e do personagem Frei e.uBer, que observa o mundo a partir do banco da frente de um carro em movimento.

Escreve para blogs e projetos autorais, desenvolve conteúdos educacionais e literários, e mantém presença ativa nas redes, especialmente no Instagram, onde publica capítulos, crônicas e reflexões.

A essência do seu trabalho reside na escuta atenta, na força da memória e no poder da palavra despojada: aquela que, sem alarde, que ecoa em silêncio e permanece.