donaMãe, também conhecida como Zina
o melhor lugar do mundo é a nossa casa
tentando fazer da própria casa um
pequeno pedaço do mundo
não sei quem inventou essa estória de que felicidade mora longe, em alguma cidade bonita, numa praia de água azul ou num país onde ninguém conhece nosso nome e, portanto, ninguém pode nos cobrar nada. deve ter sido alguém que nunca precisou procurar o óculos pela casa inteira enquanto ele estava na própria cabeça.
o melhor lugar do mundo é a nossa casa.
não porque lá o mundo seja melhor. mas porque, por algumas horas, podemos esquecer que ele não é. a gente deita. fecha os olhos. e sonha.
no sonho, tudo cabe ~ o amor que não deu certo, o dinheiro que faltou, o amigo que foi embora, a palavra que não dissemos.
até o mundo parece ter conserto.
então amanhece.
o café, o jornal, a conta, o trânsito, as notícias.
a realidade bate à porta.
e a gente abre.
talvez seja isso que uma casa faça por nós: não nos livra do mundo. apenas nos oferece um lugar onde podemos sonhar com outro. depois saímos. levamos o sonho no bolso. e deixamos a realidade esperando na calçada. por algumas horas. até a noite chegar. e a casa, generosa, nos devolver novamente o direito de sonhar.
é pouco.
mas, para quem conhece o mundo, já é quase tudo.
o melhor lugar do mundo é a nossa casa.
é lá que a gente deita, fecha os olhos e sonha com um mundo melhor.
e é lá também que, pela manhã, abre os olhos e encontra a realidade.
talvez seja por isso que casa seja tão importante ~ não porque nos
proteja do mundo, mas porque nos dá um lugar para sonhar com outro.
a gente sai pela porta levando um pouco do sonho.
e volta trazendo um pouco da realidade.
e, entre uma coisa e outra, vai tentando fazer da própria casa um
pequeno pedaço do mundo que gostaria de encontrar lá fora.
