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20 de abril de 2021 por Luze Azevedo

foi preciso desligar

foi preciso desligar
20 de abril de 2021 por Luze Azevedo

muito tempo diante da tela de um “computa-dor” nos tira, aos poucos, o prazer de apreciar as estrelas do céu e saborear o calor do sol.

a vida hoje se move mais depressa do que nos anos 50. não tem a efervescência dos anos 70, muito menos a eloquência dos anos 80.

mas é o mesmo e velho mundo, guardado em sua cápsula estrutural, pedindo ajuda também. e, por isso, paramos.

na vida moderna, parece difícil aceitar que nossos ancestrais viviam em contato permanente com a natureza e, sobretudo, que dependiam dela para sobreviver e dela cuidavam.

ainda assim, há algo que talvez continue nos aproximando deles: o desejo de encontrar algum sentido para estarmos aqui. para muitos, esse sentido passa pela busca de Deus, pela necessidade de aprovação, de proteção ou simplesmente de uma resposta.

naquela quarentena, talvez Deus estivesse falando.

ou talvez nós, finalmente, estivéssemos quietos o suficiente para escutar.

era um momento raro para nos conectarmos com alguém que,

⁠amanheceu o dia,
vista-se de alegria.

e venha viver!

na correria dos dias, quase sempre deixamos para depois: nós mesmos.

talvez fosse hora de desligar o presente por alguns instantes e olhar para o passado.

não para viver nele, mas para aprender.

nossos ancestrais sofreram, lutaram, perderam, recomeçaram e venceram.

a prova mais simples de tudo isso é que estamos aqui.

e então surge a pergunta que atravessa gerações: o que queremos deixar para quem vier depois de nós?

talvez a resposta esteja todos os dias batendo à nossa porta.

às vezes chega cedo, disfarçada de uma mensagem de “bom dia”.

às vezes vem na forma de uma janela aberta, de uma árvore, de um pedaço de céu, de alguém que sentimos falta.

mas, para ouvi-la, foi preciso desligar.

agora talvez seja tempo de apreciar, aprender e recomeçar.

não necessariamente de onde paramos.

mas a partir daquilo que finalmente aprendemos sobre para onde queremos ir.

o desejo de encontrar algum sentido

na vida moderna, parece difícil aceitar que nossos ancestrais viviam em contato permanente com a natureza e, sobretudo, que dependiam dela para sobreviver e dela cuidavam.

ainda assim, há algo que talvez continue nos aproximando deles: o desejo de encontrar algum sentido para estarmos aqui. para muitos, esse sentido passa pela busca de Deus, pela necessidade de aprovação, de proteção ou simplesmente de uma resposta.

Luze Azevedo

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caçador de palavras

sou contador de estórias e não aceito ~ hoje, hoje não! ~ o rótulo de escritor.
escritor, para mim, é quem mora nas bibliotecas. eu moro nas ruas, nos balcões dos botecos e nas mesas onde o café esfria enquanto a conversa esquenta.
meu apego pelas palavras nasce ali, onde a vida acontece sem revisão e cada boa estória sempre encontra alguém disposto a aumentá-la só um cadinho mais.

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Luze Azevedo

Luze Azevedo é contador de estórias, cronista e criador de projetos culturais. transita entre a literatura, o jornalismo cultural e a educação emocional, sempre com o ouvido colado no cotidiano e o olhar atento às pequenas cenas que dizem muito.

é autor de Endora, Novas Memórias, obra revisitada trinta anos depois do primeiro lançamento, e criador de narrativas como Crônicas que GPS não registra e do personagem Frei e.uBer, que observa o mundo a partir do banco da frente de um carro em movimento.

escreve para blogs e projetos autorais, desenvolve conteúdos educacionais e literários, e mantém presença ativa nas redes, especialmente no Instagram, onde publica capítulos, crônicas e reflexões.

a essência do seu trabalho reside na escuta atenta, na força da memória e no poder da palavra despojada: aquela que, sem alarde, que ecoa em silêncio e permanece.