a Flor que Ilumina o Dia
no caminho de casa para o trabalho, atravesso jardins como quem atravessa pequenas estórias. há flores por toda parte. muitas. de todas as cores, de todos os tamanhos, cada uma tentando, à sua maneira, iluminar o dia. estou em Jaboticabal.
mas uma delas sempre se destaca.
eu paro. fotografo.
não é apenas uma flor que guardo na fotografia. guardo um instante. a lembrança de um amor que, mesmo breve, mesmo efêmero, encontrou na imagem uma maneira de permanecer.
penso nela. ou talvez devesse dizer: penso em você. porque é para você que escrevo.
sei que não iremos nos ver. sei que talvez tudo o que nos reste seja apenas e tão somente um adeus. na imagem desta flor que ilumina o meu dia.
mas há uma espécie de alegria nisso.
a de saber que aquilo que a vida não conseguiu fazer durar, a palavra pode.
nas minhas páginas, nos meus contos, você não desaparece.
fica.
e enquanto houver alguém que leia, enquanto houver uma palavra para contar, enquanto houver uma flor capaz de iluminar o dia, você viverá.
para todo o sempre.


