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22 de agosto de 2001 por Luze Azevedo

a Flor que Ilumina o Dia

a Flor que Ilumina o Dia
22 de agosto de 2001 por Luze Azevedo

a Flor que Ilumina o Dia

no caminho de casa para o trabalho, atravesso jardins como quem atravessa pequenas estórias. há flores por toda parte. muitas. de todas as cores, de todos os tamanhos, cada uma tentando, à sua maneira, iluminar o dia. estou em Jaboticabal.

mas uma delas sempre se destaca.

eu paro. fotografo.

não é apenas uma flor que guardo na fotografia. guardo um instante. a lembrança de um amor que, mesmo breve, mesmo efêmero, encontrou na imagem uma maneira de permanecer.

penso nela. ou talvez devesse dizer: penso em você. porque é para você que escrevo.

sei que não iremos nos ver. sei que talvez tudo o que nos reste seja apenas e tão somente um adeus. na imagem desta flor que ilumina o meu dia.

mas há uma espécie de alegria nisso.

a de saber que aquilo que a vida não conseguiu fazer durar, a palavra pode.

nas minhas páginas, nos meus contos, você não desaparece.

fica.

e enquanto houver alguém que leia, enquanto houver uma palavra para contar, enquanto houver uma flor capaz de iluminar o dia, você viverá.

para todo o sempre.

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caçador de palavras

sou contador de estórias e não aceito ~ hoje, hoje não! ~ o rótulo de escritor.
escritor, para mim, é quem mora nas bibliotecas. eu moro nas ruas, nos balcões dos botecos e nas mesas onde o café esfria enquanto a conversa esquenta.
meu apego pelas palavras nasce ali, onde a vida acontece sem revisão e cada boa estória sempre encontra alguém disposto a aumentá-la só um cadinho mais.

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Luze Azevedo

Luze Azevedo é contador de estórias, cronista e criador de projetos culturais. transita entre a literatura, o jornalismo cultural e a educação emocional, sempre com o ouvido colado no cotidiano e o olhar atento às pequenas cenas que dizem muito.

é autor de Endora, Novas Memórias, obra revisitada trinta anos depois do primeiro lançamento, e criador de narrativas como Crônicas que GPS não registra e do personagem Frei e.uBer, que observa o mundo a partir do banco da frente de um carro em movimento.

escreve para blogs e projetos autorais, desenvolve conteúdos educacionais e literários, e mantém presença ativa nas redes, especialmente no Instagram, onde publica capítulos, crônicas e reflexões.

a essência do seu trabalho reside na escuta atenta, na força da memória e no poder da palavra despojada: aquela que, sem alarde, que ecoa em silêncio e permanece.